Pausa para os agradecimentos

Gostaríamos de agradecer ao Professor Everton Coelho que, com maestria, conduziu-nos a elaboração desse projeto.

Agradecemos aos visitantes do Blog, os quais esperamos ter cativado com nossas informações e dicas.



Esse trabalho foi elaborado por:



Anderson Freitas - Tipologias e Gêneros Textuais

Andrea Ribeiro - Pressupostos, Implícitos e Ambiguidade

Daniela Silva - Textos Temáticos e Figurativos

Juliana Vargas - Intertextualidade

Márcia Grião - Todas as postagens que correspondem a tipos e gêneros textuais ( Narração à Descrição)

Mariana Ancelmo - Coesão e Coerência

AMBIGUIDADE


Se consultarmos um dicionário para procurar o sentido da palavra ambíguo, a qual deriva ambigüidade, descobriremos que ela é usada para indicar algo que pode ter diferentes sentidos, que desperta dúvidas, ou que permite duas ou mais de um sentido.

Observe o exemplo abaixo:







Na tira, a última fala exemplifica a confusão provocada por uma referência ambígua. Quando a personagem pergunta: “Quem, a supernova ou a Duília?”, revela que não conseguiu decidir a qual das duas o pronome “ela” (“Ela ainda chega lá”) faz referência.

ATIVIDADES




1) Leia com atenção os quadrinhos:








a)A fala de Helga no segundo quadrinho indica um pressuposto sobre os homens. Explique-o.




b)Que opinião sobre o casamento fica implícita a partir da identificação desse pressuposto?




2) Observe a tira a seguir:







A leitura atenta da tira permite identificar uma opinião implícita de seu autor sobre os jovens.




a) Que opinião é essa?




b) Ela é positiva ou negativa? Por que?








OS IMPLÍCITOS

A compreensão de implícitos é essencial para se garantir um bom nível de leitura. Em várias ocasiões, aquilo que não é dito, mas apenas sugerido, importa muito mais que aquilo que é dito abertamente. A incapacidade de compreensão de implícitos faz com que o leitor fique preso ao nível literal do enunciado, aquele em que as palavras valem apenas pelo que são, não pelo que sugerem ou podem dar a entender.


Pressupostos e Implícitos são recursos frequentemente utilizados por autores no momento de elaboração de seus textos. Para assegurar uma boa leitura, é preciso estar atento a situações em que apenas a apreensão do sentido literal não é o bastante para compreensão do texto.


Veja:





O anúncio foi feito para divulgar uma exposição de quadros de dois importants pintores modernistas brasileiros: Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti.

O texto, além de tratar dos dois pintores, faz uma referência curiosa ao leitor, quando afirma: " Com eles a arte brasileira deu um salto enorme (muito maior que a dostancia da sua casa até o Ibirapuera, por exemplo)". Por que os idealizadores dessa peça publicitária fizeram essa referência ao leitor da revista?

Pense um pouco. Dizer que o salto dado pela arte brasileira, graças a esses pintores, foi maior que o "da sua casa até o Ibirapuera" sugere que o leitor tem preguiça de sair de sua casa para ver uma exposição de arte.

ATIVIDADES



1) Leia com atenção o texto a seguir:
"...tenho pastas e mais pastas de recortes – bom, recortes como este aqui, tirado de um jornal de Potland, Maine, intitulado 'Homem encontrado acorrentado à árvore de novo'. Foi 'de novo' que chamou minha atenção, na verdade."




BRY-SON, Bill.Esplêndidas irrelevâncias. In: Crônicas de um país bem grande. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.





a) Por que a expressão "de novo" chamou a atenção de Bill Bryson?



b) "Foi o 'de novo' que chamou minha atenção, na verdade". Com essa afirmação o autor do texto revela que, ao ler jornal, uma expressão fez com que adotasse um procedimento específico de leitura. Que procedimento é esse? Explique.




2) A tirinha abaixo apresenta uma curiosa conversa entre o casal Zé do boné e Flô.












a)Que história é considerada por Flô “irreal” e “ridícula”? Procure identificar o contexto a que a personagem se refere.



b) A segunda fala de Flô revela dois pressupostos que ela faz sobre os maridos em geral. Que pressupostos são esse?



c)Considerando os pressupostos adotados pó Flô, o que nós podemos deduzir sobre seu marido, Zé do Boné?

3) O humor da tira abaixo foi construído a partir de dois pressupostos: um sobre o casamento e outro sobre as mulheres.





a) Explicite os pressupostos de que partiu o autor da tira.



b) A análise desses pressupostos nos permitiria concluir que o autor da tira é homem. Se uma fosse fazer uma tira semelhante (identificando os problemas do casamento), o que ela provavelmente adotaria como pressuposto sobre os homens?

Os Pressupostos II

Muitas vezes, explicitar os pressupostos significaria informar o óbvio, o esperado em um dado contexto. O interessante é perceber que, em algumas situações, o pressuposto não é tão óbvio e conhecê-lo nos auxilia a ter uma melhor compreensão do que está sendo realmente dito. Veja o exemplo:



A tira só pode ser entendida se adotarmos como pressuposto o fato de a personagem Quindim (o homem com a garrafa na mão) ser um mulherengo.
Todos conhecemos a lenda dos “gênios” que, saídos das garrafas onde vivem, concedem três desejos a quem os encontra. No caso, o “gênio” já pressupõe que o Quindim pedirá para conquistar a bela mulher que vem andando pela praia. Por esse motivo, diz: “Você tem direito a três desejos. Quais vão ser os outros dois?” Se ele quer saber apenas quais serão os dois próximos desejos de Quindim, é porque pressupõe que o seu primeiro desejo será, necessariamente, conquistar a mulher para quem está olhando naquele momento.

Os Pressupostos


Observe bem a manchete da capa de revista reproduzida abaixo: "O Brasil de FHC quebra . De novo". Se formos identificar as informações presentes nessa manchete, seremos obrigados a reconhecer que ela afirma duas coisas diferentes:

O Brasil governado por Fernando Henrique Cardoso está quebrado no momento em que a revista foi publicada (agosto de 2002).
O Brasil, durante o governo de FHC, quebrou outras vezes.

De onde vem a certeza de que a manchete faz referências a momentos anteriores de dificuldade econômica para o país? A presença da expressão "de novo", é necessário que ela tenha acontecido antes.


Essa interpretação que fomos obrigado a fazer (o país já quebrou antes, durante o governo FHC) ocorre porque o autor do texto dessa manchete parte do pressuposto de que, como brasileiros, sabemos que o país enfrentou graves crises econômicas antes de agosto de 2002.
Se consultássemos um dicionário, uma das definições apresentadas para a palavra pressuposto seria:


Pressuposto: circunstância ou fato considerado como antecedente necessário de outro.

O que significa considerar algo como "antecedente" necessário de alguma coisa dita? No caso do nosso exemplo, o antecedente necessário do texto é o reconhecimento de que houve outros momentos de instabilidade econômica no Brasil. Só assim podemos compreender o uso da expressão "de novo" na manchete da revista.


O Controle dos "NÓS" Linguísticos

Cada elemento responsável pela coesão textual funciona, no interior do texto, como um pequeno nó, que serve para "amarrar" duas ou mais ideias. Existem, porém, diferentes tipos de "nós" textuais.

O primeiro desses tipos envolve o estabelecimento de referências. Na nossa língua, a classe dos pronomes constitui a principal fonte desses "nós" linguísticos, por poder atuar, como vimos, na substituição de substantivos ou expressões que designam algo dito anteriormente, ou que será futuramente dito pelo autor do texto. Por isso, é importante conhecermos bem o uso dos pronomes, para que, com seu auxilio, estabeleçamos corretamente as referências no interior de um texto, ou seja, consigamos "amarrá-las" de forma adequada.

Vamos apresentar, a seguir, os mecanismos coesivos mais frequentes.

COESÃO REFERENCIAL

A chamada coesão referencial manifesta-se através da anáfora e da catáfora.

ANÁFORA

A forma mais simples de coesão é aquela em que o elemento pressuposto está verbalmente explicitado e antecede o item coesivo. Esse tipo de pressuposição, que faz referência a algum item previamente explicitado, é conhecido como anáfora.

- Cláudia gostou do filme?
- Ela disse que sim.

No exemplo, o termo ELA só pode ser recuperado se voltarmos à sentença imediatamente anterior e descobrirmos que sua referência é o termo CLÁUDIA. Dizemos, então, que ELA refere-se anaforicamente a CLÁUDIA e que uma relação de coesão foi estabelecida entre os dois termos para garantir a compreensão do texto.


CATÁFORA

Uma outra possibilidade da ocorrência de referências no interior de um texto é exatamente contrária à exemplificada anteriormente. Em outras palavras, o termo pressuposto aparece depois do item coesivo. Quando uma relação como essa ocorre, dizemos tratar-se de uma catáfora. Observe:

ELAS ESTÃO CHAMANDO. Grandes ondas atingm o Havaí e " convidam" os surfistas mais corajosos a enfrentá-las.

No exemplo apresentado, o termo elas só pode ser recuperado se identificarmos o referente GRANDES ONDAS, que aparece depois dele na estrutura. Essa é uma relação de coesão de natureza catáforica.

Observe que os itens coesivos referenciais não podem ser interpretados semanticamente por si mesmos, sem que se faça a vinculação com os termos a que remetem.

SUBSTITUIÇÃO

Consiste na colocação de um item lexical com valor coesivo no lugar de outro (s) elemento (s) do texto, ou até mesmo de uma oração inteira.

Carlos trouxe dois computadores dos Estados Unidos. Perguntou-me se eu queria compra um.


ELIPSE

Diz-se que ocorre coesão por elipse quando algum elemento do texto é substituido por Ø (zero) em algum dos contextos em que deveria ocorrer:

- Paulo vai conosco ao cinema?
- Ø (= Paulo) Vai. Ø (= conosco ao cinema)

COEXÃO LEXICAL

A coesão lexical é o efeito obtido pela seleção de vocabulário. Tal mecanismo é garantido por dois tipos de procedimento:

REITERAÇÃO

Obtida pela repetição do mesmo item lexical ou pelo uso de sinônimos, hiperônimos, nomes genéricos.

A atriz parecia nervosa. A atriz havia sido vitima de um assalto. (coesão resultante do emprego repetido do mesmo item lexical)

Um menino entrou depressa no supermercado. O garoto parecia estar fugindo de alguém. (coesão resultante do uso de um sinônimo)

A Enterprise partiu da estação espacial com toda a tripulação. A nave faria mais uma viagem intergaláctica. (coesão resultante do emprego de um hipernônimo. Nave, aqui, é o hiperônimo, pois designa um gênero do qual a Enterprise é uma espécie)


Os caçadores se assutaram com as enormes pegadas no chão. Quando olharam na direção da entrada do bosque, viram a coisa escondida atrás dos arbustos. (coesão resultante do uso de um nome genérico)

COLOCAÇÃO OU CONTIGUIDADE

Recurso coesivo resultante do uso de termos pertencentes a um mesmo campo semântico.

Houve um grande roubo no Banco do Brasil. Várias viaturas transportaram os bandidos que foram capturados para a delegacia mais próxima.

COESÃO SEQUENCIAL

A coesão sequencial é garantida por procedimentos linguísticos que estabelecem relações de sentido entre segmentos do texto (enunciados ou parte deles, parágrafos, e mesmo sequenciais textuais).

São os mecanismos de coesão sequencial que fazem o texto progredir. Observe, no parágrafo seguinte, o funcionamento da coesão sequencial:

"Como em um passe de mágica, voltei no tempo. Ainda era detetive e estava à espera dos sequestradores de uma menina. O saco com dinheiro estava sobre o banco da praça, como havia sido combinado. Os sequestradores pegariam o dinheiro e nós os prenderíamos em flagrante. Nosso único erro foi não ter imaginado que a menina viesse junto. Era tarde demais para recuar, o tiroteio já havia começado."

No exemplo, podemos perceber como a utilização adequada das diferentes formas verbais garantiu a continuidade natural da ação narrada. A construção do tempo da narrativa, nesse caso, está sendo feita através dos mecanismos de manutenção da coesão sequencial.





ATIVIDADE

Para testarmos seu conhecimento sobre coesão e coerência, propomos a seguinte atividade:


Assinale a opção em que a estrutura sugerida para preenchimento da lacuna correspondente provoca defeito de coesão e incoerência nos sentidos do texto.

A violência no País há muito ultrapassou todos os limites. ___1___ dados recentes mostram o Brasil como um dos países mais violentos do mundo, levando-se em conta o risco de morte por homicídio.

Em 1980, tínhamos uma média de, aproximadamente, doze homicídios por cem mil habitantes. ___2___, nas duas décadas seguintes, o grau de violência intencional aumentou, chegando a mais do que o dobro do índice verificado em 1980 – 121,6% –, ___3___, ao final dos anos 90 foi superado o patamar de 25 homicídios por cem mil habitantes. ___4___, o PIB por pessoa em idade de trabalho decresceu 26,4%, isto é, em média, a cada queda de 1% do PIB a violência crescia mais do que 5% entre os anos 1980 e 1990.

Estudos do Banco Interamericano de Desenvolvimento mostram que os custos da violência consumiram, apenas no setor saúde, 1,9% do PIB entre 1996 e 1997. ___5___ a vitimização letal se distribui de forma desigual: são, sobretudo, os jovens pobres e negros, do sexo masculino, entre 15 e 24 anos, que têm pago com a própria vida o preço da escalada da violência no Brasil.

a) 1 – Tanto é assim que
b) 2 – Lamentavelmente
c) 3 – ou seja
d) 4 – Simultaneamente
e) 5 – Se bem que

Coesão e Corência

Na construção de um texto, assim como na fala, usamos mecanismos para garantir ao interlocutor a compreensão do que se lê / diz.

Esses mecanismos lingüísticos que estabelecem a conectividade e a retomada do que foi escrito / dito são os referentes textuais e buscam garantir a coesão textual para que haja coerência, não só entre os elementos que compõem a oração, como também entre a seqüência de orações dentro do texto.
Essa coesão também pode muitas vezes se dar de modo implícito, baseado em conhecimentos anteriores que os participantes do processo têm com o tema. Por exemplo, o uso de uma determinada sigla, que para o público a quem se dirige deveria ser de conhecimento geral, evita que se lance mão de repetições inúteis.
Numa linguagem figurada, a coesão é uma linha imaginária - composta de termos e expressões - que une os diversos elementos do texto e busca estabelecer relações de sentido entre eles.
Dessa forma, com o emprego de diferentes procedimentos, sejam lexicais (repetição, substituição, associação), sejam gramaticais (emprego de pronomes, conjunções, numerais, elipses), constroem-se frases, orações, períodos, que irão apresentar o contexto – decorre daí a coerência textual.
Um texto incoerente é o que carece de sentido ou o apresenta de forma contraditória. Muitas vezes essa incoerência é resultado do mau uso daqueles elementos de coesão textual. Na organização de períodos e de parágrafos, um erro no emprego dos mecanismos gramaticais e lexicais prejudica o entendimento do texto. Construído com os elementos corretos, confere-se a ele uma unidade formal.
Nas palavras do mestre Evanildo Bechara, “o enunciado não se constrói com um amontoado de palavras e orações. Elas se organizam segundo princípios gerais de dependência e independência sintática e semântica, recobertos por unidades melódicas e rítmicas que sedimentam estes princípios”.
Desta lição, extrai-se que não se deve escrever frases ou textos desconexos – é imprescindível que haja uma unidade, ou seja, que essas frases estejam coesas e coerentes formando o texto. Além disso, relembre-se que, por coesão, entende-se ligação, relação, nexo entre os elementos que compõem a estrutura textual.

Há diversas formas de se garantir a coesão entre os elementos de uma frase ou de um texto:

1. Substituição de palavras com o emprego de sinônimos ou de palavras ou expressões de mesmo campo associativo.

2. Nominalização – emprego alternativo entre um verbo, o substantivo ou o adjetivo correspondente (desgastar / desgaste / desgastante).

3. Repetição na ligação semântica dos termos, empregada como recurso estilístico de intenção articulatória, e não uma redundância - resultado da pobreza de vocabulário. Por exemplo, “Grande no pensamento, grande na ação, grande na glória, grande no infortúnio, ele morreu desconhecido e só.” (Rocha Lima)

4. Uso de hipônimos – relação que se estabelece com base na maior especificidade do significado de um deles. Por exemplo, mesa (mais específico) e móvel (mais genérico).

5. Emprego de hiperônimos - relações de um termo de sentido mais amplo com outros de sentido mais específico. Por exemplo, felino está numa relação de hiperonímia com gato.

6. Substitutos universais, como os verbos vicários (ex.: Necessito viajar, porém só o farei no ano vindouro) A coesão apoiada na gramática dá-se no uso de conectivos, como certos pronomes, certos advérbios e expressões adverbiais, conjunções, elipses, entre outros. A elipse se justifica quando, ao remeter a um enunciado anterior, a palavra elidida é facilmente identificável (Ex.: O jovem recolheu-se cedo. ... Sabia que ia necessitar de todas as suas forças. O termo o jovem deixa de ser repetido e, assim, estabelece a relação entre as duas orações.).

Dêiticos são elementos lingüísticos que têm a propriedade de fazer referência ao contexto situacional ou ao próprio discurso. Exercem, por excelência, essa função de progressão textual, dada sua característica: são elementos que não significam, apenas indicam, remetem aos componentes da situação comunicativa.

Já os componentes concentram em si a significação. Elisa Guimarães nos ensina a esse respeito: “Os pronomes pessoais e as desinências verbais indicam os participantes do ato do discurso. Os pronomes demonstrativos, certas locuções prepositivas e adverbiais, bem como os advérbios de tempo, referenciam o momento da enunciação, podendo indicar simultaneidade, anterioridade ou posterioridade.

Assim: este, agora, hoje, neste momento (presente); ultimamente, recentemente, ontem, há alguns dias, antes de (pretérito); de agora em diante, no próximo ano, depois de (futuro).” Esse conceito será de grande valia quando tratarmos do uso dos pronomes demonstrativos.Somente a coesão, contudo, não é suficiente para que haja sentido no texto, esse é o papel da coerência, e coerência se relaciona intimamente a contexto.

Intertextualidade na Prática

ATIVIDADES


01) Leia os fragmentos e observe as datas. Em seguida, explique o conceito de intertextualidade.

Fragmento A


Do poema “Vozes d’África”, de Castro Alves, século XIX.

Deus! Ó Deus! Onde estás que não respondes?
Em que mundo, em que estrela tu t’escondes
Embuçado nos céus?
Há dois mil anos mandei meu grito,
Que embalde desde então corre o infinito
Onde estás, Senhor Deus?

Fragmento B


Do poema “Natal de ontem, de hoje – e de sempre”, de Mário da Silva Brito, de 1975.

Onde estás, ó Deus,
Que não respondes?
Em que mates,
Em que ares,
Em que astronave tu te escondes?


FARACO & MOURA, Literatura Brasileira. Ed. Ática, SP: 2000, pp. 52 – 53.

02) Quem não passou pela experiência de estar lendo um texto e afrontar-se com passagens já lidas em outros? Os textos conversam entre si m um diálogo constante. Esse fenômeno tem a denominação de intertextualidade.
Leia os textos a seguir:

I- Quando nasci, um anjo torto
Desses que vivem na sombra
Disse: Vai Carlos! Ser “gauche” na vida.
(ANDRADE, Carlo, Drummond de. Alguma poesia, Rio de Janeiro; Agular 1964)

II-Quando nasci veio um anjo safado
O chato dum querubim
E decretou que eu tava predestinado
A ser errado assim
Já de saída minha estrada entortou
Mas vou até o fim.

(BUARQUE, Chico. Letra e música. São Paulo: Cia das Letras, 1989)

III-Quando nasci um anjo esbelto
Desses que tocam trombeta, anunciou:
Vai carregar bandeira.
Carga muito pesada para mulher
Esta espécie ainda envergonhada.


(PRADO, Adélia. Bagagem, Rio de Janeiro; Guanabara, 1986)

Adélia Prado e Chico Buarque estabelecem intertextualidade, em relação a Carlos Drummond de Andrade, por:


(A) Reiteração de imagens
(B) Oposição de idéias
(C) Falta de criatividade
(D) Negação dos versos
(E) Ausência de recursos


3- Essa é para pesquisar. A música da cantora Adriana Calcanhotto (Vambora) apresenta um gênero de intertextualidade, identifique-o no texto diga a que gênero pertence e de quem ela se refere.


Entre por essa porta agora
E diga que me adora
Você tem meia hora
Pra mudar a minha vida
Vem, vambora
Que o que você demora
É o que o tempo leva...
Ainda tem o seu perfume
Pela casaAinda tem você na sala
Porque meu coração dispara?
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Dentro da noite veloz...
Ainda tem o seu perfume
Pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara?
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Na cinza das horas...

Você sabe o que é Intertextualidade?

A intertextualidade pode ser definida como um diálogo entre dois textos. E texto no sentido amplo: um conjunto de signos organizados para transmitir uma mensagem, portanto, no mundo atual da multimídia, ela acontece entre textos de signos diferentes.

Veja um exemplo de intertextualidade explorado por exame vestibular da Unesp.

Para que mentir?


Para que mentir
Tu ainda não tens
Esse dom de saber iludir?
Pra quê? Pra que mentir,
Se não há necessidade
De me trair?
Pra que mentir
Se tu ainda não tens
A malícia de toda mulher?
Pra que mentir, se eu sei
Que gostas de outro
Que te diz que não te quer?
Pra que mentir tanto assim
Se tu saber que eu te quero
Apesar de ser traído
Pelo teu ódio sincero
Ou pó teu amor fingido?
(Vadico e Noel Rosa, 1934)

Dom de iludir

Não venha falar na malícia
De toda mulher
Cada um sabe a dor e a delícia
De ser o que é.
Não me olhe como se a polícia
Andasse atrás de mim.
Cale a boca, e não cale na boca
Notícia ruim.
Você sabe entender, tudo bem.
Você está, você é, você faz.
Você quer, você tem.
Você diz a verdade, a verdade
É o seu dom de iludir.
Como pode querer que a mulher
Vá viver sem mentir.
(Caetano Veloso, 1982)

O poema– canção: "Pra que mentir?" foi escrito por Noel Rosa em 1934, em parceria com o compositor paulista Osvaldo Glogliano, o Vadico.

Caetano, em 1982, compôs Dom de Iludir, estabelecendo uma imaginária correlação dialogal com o poema de Noel. Na música, Caetano Veloso mantém um diálogo explícito com a de Vadico/Noel Rosa.

Na literatura e, até mesmo nas artes, a intertextualidade é persistente, qualquer assunto que se refere a assuntos abordados em outros, é exemplo de intertextualização. Toda vez que uma obra fizer alusão (Referência explícita ou implícita a uma obra de arte) à outra ocorre a intertextualidade.

Dentre a intertextualidade explícita, temos vários gêneros, como: epígrafe, citação, referência, alusão, paráfrase, paródia.

Epígrafe:

Do grego epi = em posição superior + graphé = escrita) constitui uma escrita introdutória de outra.

A Canção de Exílio, de Gonçalves Dias, apresenta versos introdutórios de Goethe, dom a seguinte tradução: “conheces o país onde florescem as laranjeiras? Ardem na escura fronde os frutos de ouro... Conhecê-lo? Para lá, para lá quisera eu ir!”

A epígrafe e o poema mantem um diálogo, pois os dois têm características românticas, pertencem ao gênero lírico e possuem caráter nacionalista.

Citação:

É uma transcrição de texto alheio, marcada por aspas. A música Cinema Novo, de Caetano Veloso, faz citações:

O filme quis dizer ‘Eu sou o samba’
A voz do morro rasgou a tela do cinema
E começaram a se configurar
Visões das coisas grandes pequenas
Que nos formaram e estão a nos formar
Todos e muitos: Deus e o Diabo, Vidas Secas, os Fuzis,
Os cafajestes, o Padre e a Moça, a Grande Feira, o Desafio
Outras conversas, outras conversas sobre os jeitos do Brasil.

Na citação sobre o samba, Caetano Veloso diz que o Cinema Novo quer representar o Brasil, como fez o samba da época de Carmem Miranda.

Referência e Alusão:



Machado de Assis é mestre nesse tipo de intertextualidade. Ele foi um escritor que visualizou o valor desse artifício no romance bem antes do Modernismo. No romance Dom Casmurro, ele cita Otelo, personagem de Shakespeare, para que o leitor analise o drama de Bentinho.

Paráfrase:




A paráfrase é a reprodução do texto de outrem com as palavras do autor. Ela não confunde com o plágio porque seu autor explicita a intenção, deixa claro a fonte. Exemplo de paráfrase é o poema Oração, de Jorge de Lima:
“- Ave Maria cheia de graças...”
A tarde era tão bela, a vida era tão pura,
as mãos de minha mãe eram tão doces,
havia, lá no azul, um crepúsculo de ouro... lá longe...
“- Cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita!”
Bendita!
Os outros meninos, minha irmã, meus irmãos
menores,
meus brinquedos, a casaria branca de
minha terra, a burrinha do vigário
pastando
junto à capela... lá longe...
Ave cheia de graça
"...bendita sois entre as mulheres, bendito é o
fruto do vosso ventre...”
E as mãos do sono sobre os meus olhos,
e as mãos de minha mãe sobre o meu sonho,
e as estampas de meu catecismo
para o meu sonho de ave!
E isto tudo tão longe... tão longe...



O autor retoma explicitamente a oração Ave Maria e mantém-se fiel a ele, justapõe a figura de Maria à da sua mãe, refere-se à hora do Angelus
Paródia é a criação de um texto a partir de um bastante conhecido, ou seja, com base em um texto consagrado alguém utiliza sua forma e rima para criar um novo texto cômico, irônico, humorístico, zombeteiro ou contestador, dando um novo sentido ao texto.
Essa intertextualidade também pode ocorrer em pinturas, no jornalismo e nas publicidades.

TEXTOS TEMÁTICOS X FIGURATIVOS

Texto temático

Um texto temático é predominantemente dissertativo, mas isso não significa que não pode ter figuras, e se as tiver, elas aparecerão de forma genérica. Esse tipo de texto pretende mostrar fatos ao leitor sem a preocupação de convencê-lo.
Nele, o tempo verbal mais usado é o presente atemporal, escrito na forma impessoal, para isso os pronomes eu, ele, ela, nós, etc. não são usados.
É um texto dinâmico com relações de anterioridade e de posterioridade, com predominância de substantivos abstratos e palavras abstratas, que indicam algo presente no mundo natural, mas com foco em conceitos.
Por ter uma função interpretativa, o texto temático explica o mundo, os temas ficam na superfície textual.

Texto figurativo

Um texto figurativo é do tipo narrativo, com predominância de termos concretos, ou seja, substantivos concretos. Com esses elementos cria um efeito de realidade, caracterizando uma imagem de mundo, onde são analisadas relações humanas e acontecimentos. No entanto, isso não representa que o texto figurativo não tenha tema, pelo contrario, o texto narrativo sempre apresenta, em suas estruturas profundas, um tema.
A função do texto figurativo é representativa, e para tal, ele usa palavras predominantemente concretas, onde os temas são encobertos pela camada figurativa. Os tempos verbais mais utilizados são: presente, imperfeito e futuro.
Quando dizemos que um texto é figurativo ou temático, na verdade o que queremos dizer é que é predominantemente e não exclusivamente figurativo ou temático, pois em um texto figurativo podem aparecer temas e vice e versa.
Para facilitar o entendimento do leitor em classificar um texto, ele pode chamar de figuras os elementos concretos que encontrar e de temas os elementos abstratos. Embora, o leitor, diante de um texto não deva se deter apenas a termos concretos ou não, e sim, procurar o significado mais amplo possível da leitura, o que mostrará sua competência linguística.

Temas - são os elementos abstratos, são as palavras ou expressões que não correspondem a algo existente no mundo natural, mas a elementos que organizam, categorizam, ordenam a realidade percebida pelos sentidos. Há dois níveis de concretização dos esquemas narrativos: o temático e o figurativo.

O figurativo é mais concreto do que o temático, cria um efeito de realidade, pois constrói uma cena real, com gente, bichos, cores, etc. Por isso representa o mundo no texto. Conforme o modo de concretização da estrutura narrativa, temos dois tipos de textos: os temáticos e os figurativos. Os textos temáticos procuram explicar os fatos e as coisas do mundo, buscam classificar, ordenar e interpretar a realidade. Quando se diz que um texto é figurativo ou temático, o que se quer dizer é que ele é predominantemente, e não exclusivamente, figurativo ou temático. Podem aparecer algumas figuras nos textos temáticos e alguns temas nos textos figurativos. A classificação decorre da predominância de elementos abstratos ou concretos, não da sua exclusividade. Como o nível temático e o nível figurativo são dois níveis sucessivos de concretização, podemos ter textos temáticos sem a cobertura figurativa, mas todo texto figurativo pressupõe, sob as figuras de um tema. Para entender um texto figurativo é preciso alcançar seu nível temático, pois um texto figurativo sempre joga com dados concretos para, por meio deles, revelar significados mais abstratos.

Os estudos lingüístico-gramaticais hoje focam sua lógica nos textos e não em
palavras e frases isoladas. A combinação da morfologia, que forma o que se chama de
eixo da escolha (paradigmático), com a sintaxe, que forma o eixo da combinação
(sintagmático) gera o que realmente interessa quando se quer comunicar: a semântica.

A semântica é o sentido dos textos, pois as palavras só ganham sentido dentro de
textos. O significado delas está no eixo da escolha, nos dicionários, mas na mensagem
está o sentido. E mesmo assim a captação desse sentido depende de cada receptor. Nem sempre
a mensagem que o produtor do texto quis passar é captada pelo receptor, que entende
coisa bem diferente e essa passa a ser, para ele, a mensagem naquele texto.

Independentemente desse ruído de comunicação, ou seja, o emissor querendo
dizer uma coisa e o receptor entendendo outra, os textos também são classificados como
temáticos, isto é, quando predomina a idéia, e figurativos, isto é, quando predominam
as palavras que indicam seres do mundo natural, concretos.

Melhor é analisar alguns provérbios e constatar o que é figura e o que é idéia.

1) “EM TERRA DE CEGO, QUEM TEM UM OLHO É REI.”

Figuras: Terra, cego, olho e rei

Tema: Essa máxima pode ser interpretada tematicamente na referênciaTema: Essa máxima pode ser interpretada tematicamente na referência a que, entre
pessoas ignorantes, pouco espertas, aquele que se destaca um pouco acima delas é
tratado como se fosse rei. Em geral, ela é usada quando nos referimos à mediocridade.
Há, portanto, forte temática pejorativa, insinuando que, dentre os medíocres, o menos
medíocre leva vantagem. Mas... ainda assim a mediocridade predomina.

2) ‘FAÇAM O QUE EU DIGO, MAS NÃO FAÇAM O QUE EU FAÇO.”

Figuras: EU, VOCÊS

Tema: Tematicamente o provérbio indica que o autor ou usuário dessa frase sabe o que é
certo, o que deve ser feito, mas ele mesmo nunca faz. Temos exemplos disso claramente
na política e entre os políticos. Eles sabem o que precisa ser feito, mas os interesses da
categoria são mais fortes do que os interesses do povo e nunca fazem o que é preciso, só
o que lhes interessa. E quantos conselheiros são hábeis no manejo do discurso e mais
hábeis ainda na prática do contrário ao que pregam!

Essa frase, por uma necessidade de rima, já chegou a ser alterada, numa insinuação
muito mais ampla, porque passa a abranger os representantes de entidade religiosa: “Frei
Tomás, façam o que ele diz, mas não façam o que ele faz”.

3) “CADA POVO TEM O GOVERNO QUE MERECE!”

Figuras: povo, governo (mais precisamente governantes)
Tema: Óbvia referência aos que sofrem as conseqüências de terem escolhido mal
aqueles que os governam. Vemos aqui uma íntima ligação com o primeiro provérbio
acima. Os medíocres escolhem um menos medíocre para governá-los e enganá-los. Nem
vamos nos referir a algumas eleições em que, sabidamente, candidatos que se
locupletaram com o dinheiro público, alguns cassados, outros se exoneraram para evitar a
cassação, foram reconduzidos pelo povo aos seus cargos anteriores, por voto livre. É, de
fato, cada povo tem o governo que merece!
Mas esse provérbio também nos leva ao famoso tema da mulher de malandro. Tem povo
que gosta de sofrer!

4) “ÁGUA É MOLE, PEDRA É DURA. TANTO BATE, ATÉ QUE FURA!

Figuras: água, pedra, bater, furar
Tema: Louvação à persistência como qualidade. Ela passa a idéia de que se deve
persistir para não fracassar. Não se deve aceitar um não com docilidade quando
realmente se busca alguma coisa que a pessoa julga justa ou necessária. É preciso
insistir até e para atingir o objetivo.

5) “OLHO POR OLHO, DENTE POR DENTE”

Figuras: olho e dente
Tema: Um brado à vingança como restauradora da justiça. Já fazia parte do antiqüíssimo
Código de Hamurábi, na época da Babilônia. Se nos ativermos à leitura de romances de
Érico Veríssimo, em relação ao Rio Grande do Sul, ou dos autores nordestinos da
primeira metade do século XX, perceberemos como agiam os chefes de clãs ou ‘coronéis’
nas disputas entre famílias rivais. Em Incidente em Antares, de Érico Veríssimo, ou “Fogo
Morto”, de José Lins do Rego, ou ainda “São Jorge dos Ilhéus”, de Jorge Amado, veremos
muito essa máxima “restauradora da justiça” ser empregada com constância.
Como esses poucos exemplos, esperamos ter deixado bem claros os conceitos de textos
figurativos e textos temáticos.

Prof. Elon Macena
Diretor Acadêmico-Pedagógico da Unisa – Universidade de Santo Amaro
Março de 2008

ATIVIDADES

Agora, vamos exercitar nossos conhecimentos com alguns exercícios referente ao conteúdo visto até o momento sobre DISSERTAÇÃO.

Atividade 1

Com o planejamento abaixo, produza uma dissertação:

• o acesso ao ensino superior no Brasil
• papel do vestibular no sistema de ensino brasileiro
• vantagens e desvantagens do vestibular como mecanismo de seleção ao curso superior
• solução para o desequilíbrio entre oferta e demanda de vagas no ensino superior

Atividade 2

Reescreva os fragmentos a seguir, fazendo as adaptações necessárias para uma perfeita compreensão da idéia apresentada.
• No Brasil não se sente uma necessidade de ajudar o próximo muito forte
• Todos devem escolher o que mais lhes agrada e não a sociedade.
• A imprensa é mais uma realização do homem que sofreu, desde a sua descoberta, gradativos aperfeiçoamentos.

Atividade 3

Pratique levantando argumentos para os seguintes temas:
• Orfandade
• Escravidão ontem e hoje

Observação
lembre-se de que a razão prevalece sobre a emoção sempre em dissertações
Determine causas e conseqüências para o analfabetismo no Brasil e consumo de tóxicos pelos jovens .


Atividade 4

Encontre uma causa e uma conseqüência relacionados à proposição abaixo e construa um parágrafo para cada argumento:

• O Brasil tem enfrentado graves problemas na área de saúde e previdência públicas
• A campanha contra a miséria e a fome está mobilizando toda a nação
Indique três causas das proposições a seguir e justifique cada uma através de uma frase
• Precariedade do sistema de transportes
• Alto índice de mortalidade infantil
• Congestionamento nas grandes cidades

Aponte três conseqüências para os temas abaixo e construa um parágrafo fundamentando cada uma.

• Baixo índice de mão-de-obra especializada
• Falta de investimento em tecnologia
• Uso de agrotóxicos

Levante um argumento favorável e um desfavorável para a proposição a seguir. Construa um parágrafo envolvendo suas idéias.

• As greves dos trabalhadores em relação à sociedade e à nação

Ops! Fuja!

O que devemos evitar numa dissertação

Após o título de uma redação não coloque ponto.

Ao terminar o texto, não coloque qualquer coisa escrita ou riscos de qualquer natureza. Detalhe: não precisa autografar no final também, e ainda assim será uma obra-prima.

Prefira usar palavras de língua portuguesa a estrangeirismos.

Não use chavões, provérbios, ditos populares ou frases feitas.

Não use questionamentos em seu texto, sobretudo em sua conclusão.

Jamais usar a primeira pessoa do singular, a menos que haja solicitação do tema (Ex.: O que você acha sobre o aborto - ainda assim, pode-se usar a 3ª pessoa).

Evite usar palavras como “coisa” e “algo”, por terem sentido vago. Prefira: elemento, fator, tópico, índice, item etc.

Repetir muitas vezes as mesmas palavras empobrece o texto. Lance mão de sinônimos e expressões que representem a idéia em questão.

Só cite exemplos de domínio público, sem narrar seu desenrolar. Faça somente uma breve menção.

A emoção não pode perpassar nem mesmo num adjetivo empregado no texto. Atenção à imparcialidade.

Evite o uso de etc. e jamais abrevie palavras.

Não analisar assuntos polêmicos sob apenas um dos lados da questão.

VEJA AGORA UM EXEMPLO DE DISSERTAÇÃO

A posição social da mulher de hoje


Ao contrário de algumas teses predominantes até bem pouco tempo, a maioria das sociedades de hoje já começam a reconhecer a não existência de distinção alguma entre homens e mulheres. Não há diferença de caráter intelectual ou de qualquer outro tipo que permita considerar aqueles superiores a estas.
Com efeito, o passar do tempo está a mostrar a participação ativa das mulheres em inúmeras atividades. Até nas áreas antes exclusivamente masculinas, elas estão presentes, inclusive em posições de comando. Estão no comércio, nas indústrias, predominam no magistério e destacam-se nas artes. No tocante à economia e à política, a cada dia que passa, estão vencendo obstáculos, preconceitos e ocupando mais espaços.
Cabe ressaltar que essa participação não pode nem deve ser analisada apenas pelo prisma quantitativo. Convém observar o progressivo crescimento da participação feminina em detrimento aos muitos anos em que não tinham espaço na sociedade brasileira e mundial.
Muitos preconceitos foram ultrapassados, mas muitos ainda perduram e emperram essa revolução de costumes. A igualdade de oportunidades ainda não se efetivou por completo, sobretudo no mercado de trabalho. Tomando-se por base o crescimento qualitativo da representatividade feminina, é uma questão de tempo a conquista da real equiparação entre os seres humanos, sem distinções de sexo.

Partes de uma dissertação

Introdução

Constitui o parágrafo inicial do texto e deve ter, em média, 5 linhas. É composta por uma sinopse do assunto a ser tratado no texto. Não se pode, entretanto, começar as explicações antes do tempo. Todas as idéias devem ser apresentadas de forma sintética, pois é no desenvolvimento que serão detalhadas.
A construção da introdução pode ser feita de várias maneiras:


  • constatação do problema


Ex.: O aumento progressivo dos índices de violência nos grandes centros urbanos está promovendo uma mobilização político-social.

  • delimitação do assunto


Ex.: A cidade do Rio de Janeiro, um dos núcleos urbanos mais atrativos turisticamente no Brasil, aparece nos meios de comunicação também como foco de violência urbana.

  • definição do tema


Ex.: Como um dos mais problemáticos fenômenos sociais, a violência está mobilizando não só o governo brasileiro, mas também toda a população num esforço para sua erradicação.


Na construção da introdução, a utilização de um dos métodos apresentados não seria suficiente. Deve-se, num segundo período, lançar as idéias a serem explicitadas no desenvolvimento. Para tanto pode-se levantar 3 argumentos, causas e conseqüências, prós e contras. Lembre-se de que as explicações e respectivas fundamentações de cada uma dessas idéias cabem somente ao desenvolvimento.


Observe alguns exemplos:

  • A televisão - Se por um lado esse popular veículo de comunicação pode influenciar o espectador, também se constitui num excelente divulgador de informações com potencial até mesmo pedagógico.
    (as três idéias: manipulador de opiniões, divulgador de informações e instrumento educacional.)
  • Escassez de energia elétrica - Destacam-se como fatores preponderantes para esse processo o aumento populacional e a má distribuição de energia que podem acarretar novo racionamento.
    (as três idéias: crescimento da população e da demanda de energia, problemas com distribuição da energia gerada no Brasil e a conseqüência do racionamento do uso de energia).
  • A juventude e a violência - Pode-se associar esse crescimento da violência com o número de jovens envolvidos com drogas e sem orientações familiares, o que gera preconceito em relação a praticantes de esportes de luta e “funkeiros”.


Desenvolvimento


Esta segunda parte de uma redação, também chamada de argumentação, representa o corpo do texto. Aqui serão desenvolvidas as idéias propostas na introdução. É o momento em que se defende o ponto de vista acerca do tema proposto. Deve-se atentar para não deixar de abordar nenhum item proposto na introdução.


Pode estar dividido em 2 ou 3 parágrafos e corresponde a umas 20 linhas, aproximadamente.
A abordagem depende da técnica definida na introdução: 3 argumentos, causas e conseqüências ou prós e contras. O conceito de argumento é importante, pois ele é a base da dissertação. Causa, conseqüência, pró, contra são todos tipos de argumentos; logo pode-se apresentar 3 causas, por exemplo, num texto.


A reflexão sobre o tema proposto não pode ser superficial, para aprofundar essa abordagem buscam-se sempre os porquês. De modo prático o procedimento é:


Levantar os argumentos referentes ao tema proposto.


Fazer a pergunta por quê? a cada um deles, relacionando-o diretamente ao tema e à sociedade brasileira atual.


A distribuição da argumentação em parágrafos depende, também, da técnica adotada:

  • 3 argumentos - um parágrafo explica cada um dos argumentos
  • causas e conseqüências - podem estar distribuídas em 2 ou 3 parágrafos. Ou agrupam-se causas e conseqüências, constituindo 2 parágrafos; ou associa-se uma causa a uma conseqüência e com cada grupo constroem-se 2 ou 3 parágrafos.
  • prós e contras - são as mesmas opções da técnica de causas e conseqüências, substituídas por prós e contras.
  • abordagem histórica - compara-se o antes e o hoje, elucidando os motivos e conseqüências dessas transformações. Cuidado com dados como datas, nomes etc. de que não se tenha certeza.
  • abordagem comparativa - usam-se duas idéias centrais para serem relacionadas no decorrer do texto. A relação destacada pode ser de identificação, de comparação ou as duas ao mesmo tempo.


É muito importante manter uma abordagem mais ampla, mostrar os dois lados da questão. O texto esquematizado previamente reflete organização e técnica, valorizando bastante a redação. Logo, um texto equilibrado tem mais chances de receber melhores conceitos dos avaliadores, por demonstrar que o candidato se empenhou para construí-lo.
Recurso adicional - para elucidar uma idéia e demonstrar atualização, pode-se apresentar de forma bastante objetiva e breve um exemplo relacionado ao assunto.

Conclusão


Representa o fecho do texto e vai gerar a impressão final do avaliador. Deve conter, assim como a introdução, em torno de 5 linhas.
Pode-se fazer uma reafirmação do tema e dar-lhe um fecho ou apresentar possíveis soluções para o problema apresentado.
Apesar de ser um parecer pessoal, jamais se inclua.
Evite começar com palavras e expressões como: concluindo, para finalizar, conclui-se que, enfim...

Argumentação

A base de uma dissertação é a fundamentação de seu ponto de vista, sua opinião sobre o assunto. Para tanto, deve-se atentar para as relações de causa-conseqüência e pontos favoráveis e desfavoráveis, muito usadas nesse processo.


Algumas expressões indicadoras de causa e conseqüência

  • causa : por causa de, graças a, em virtude de, em vista de, devido a, por motivo de
  • conseqüência : conseqüentemente, em decorrência, como resultado, efeito de


Algumas expressões que podem ser usadas para abordar temas com divergência de opiniões: em contrapartida, se por um lado... / por outro... , xxx é um fenômeno ambíguo, enquanto uns afirmam... / outros dizem que...


Exemplo de argumentação para a tese de que as abelhas são insetos extraordinários:

  • porque tem instinto muito apurado
  • porque são organizadas em repúblicas disciplinadas
  • porque fornecem ao homem cera e mel
  • apesar de seus ferrões e de sua força quando constituem um enxame


Observação: mesmo quando se destacam características positivas, é bom utilizar ponto negativo. Neste caso, destaca-se que a importância dos pontos positivos minimizam a negatividade do outro argumento.

Qualidades de uma dissertação

O texto deve ser sempre bem claro, conciso e objetivo. A coerência é um aspecto de grande importância para a eficiência de uma dissertação, pois não deve haver pormenores excessivos ou explicações desnecessárias. Todas as idéias apresentadas devem ser relevantes para o tema proposto e relacionadas diretamente a ele.

A originalidade demonstra sua segurança e faz um diferencial em meio aos demais textos. Só não se pode, em aspecto nenhum, abandonar o tema proposto.

Toda redação deve ter início, meio e fim, que são designados por introdução, desenvolvimento e conclusão, respectivamente. As idéias distribuem-se de forma lógica, sem haver fragmentação da mesma idéia em vários parágrafos.

Elementos de coesão: Algumas palavras e expressões facilitam a ligação entre as idéias, estejam elas num mesmo parágrafo ou não. Não é obrigatório, entretanto, o emprego destas expressões para que um texto tenha qualidade. Seguem algumas sugestões e suas respectivas relações:
  • assim, desse modo - têm valor exemplificativo e complementar. A seqüência introduzida por eles serve normalmente para explicitar, confirmar e complementar o que se disse anteriormente.
  • ainda - serve, entre outras coisas, para introduzir mais um argumento a favor de determinada conclusão; ou para incluir um elemento a mais dentro de um conjunto de idéias qualquer.
  • aliás, além do mais, além de tudo, além disso - introduzem um argumento decisivo, apresentado como acréscimo. Pode ser usado para dar um “golpe final” num argumento contrário.
  • mas, porém, todavia, contudo, entretanto... (conj. adversativas) - marcam oposição entre dois enunciados.
  • embora, ainda que, mesmo que - servem para admitir um dado contrário para depois negar seu valor de argumento, diminuir sua importância. Trata-se de um recurso dissertativo muito bom, pois sem negar as possíveis objeções, afirma-se um ponto de vista contrário.
  • este, esse e aquele - são chamados termos anafóricos e podem fazer referência a termos anteriormente expressos, inclusive para estabelecer semelhanças e/ou diferenças entre eles.

Vamos dissertar?

Segundo o dicionário, dissertar é expor algum assunto de modo organizado, abrangente e profundo. A dissertação pode ser definida como o texto resultante do ato de dissertar.

Se dissertamos para expor um determinado assunto, uma das caracteristicas do texto resultante será ter caráter informativo. Ocorre, porém, que o objetivo da dissertação não é apenas o de informar, mas sim o de analisar e explicar uma determinaa questão, usando o expediente de determinar os aspectos que a caracterizam e as circunstâncias que a envolvem.


E agora?

A folha em branco, o tempo passando. As unhas roídas, o tema dado e nenhuma idéia. Muitas pessoas já passaram por uma situação semelhante, em que não sabiam absolutamente por onde começar a escrever sobre determinado assunto.
Escrever pode ser fácil para qualquer pessoa, desde que esta queira se empenhar para tanto. Não há mágicas ou fórmulas práticas para aprender a escrever. Na verdade, é um trabalho que depende sobremaneira do empenho do interessado em aprender.
Para este intento, algumas dicas práticas podem ser dadas para auxiliar, mas nada substitui a necessidade de escrever sempre. O ato da escrita deve se tornar algo natural, a fim de afastar o fantasma do “branco total”. Além disso, a leitura e a atualização de informações também colaboram muito na qualidade do texto.

O objetivo da redação é chegar a um texto que será tão repleto de escolhas pessoais (idéias, palavras, estruturas frasais, organização, exemplos) que, até partindo de um mesmo assunto geral, milhares de pessoas podem chegar a um bom resultado apresentando trabalhos nitidamente diferentes.

Para desenvolver esse trabalho, a presente texto direciona-se ao estudo dissertativo.

Muitas vezes, as maiores dificuldades estão na concretização das idéias no papel. Para auxiliar neste processo, nosso blog conta também com um suporte de Língua Portuguesa. A preocupação aqui não é de nomenclaturas ou classificações, o que teve relevo foi a funcionalidade lingüística no momento da escrita.
Alguns pontos merecem destaque especial para um aprimoramento da escrita:
  • ler mais
  • adquirir o hábito de escrever
  • pontuar adequadamente
  • organizar idéias
  • construir períodos mais curtos.

Estrutura textual


Assunto


Delimitar um aspecto acerca do tema proposto é importante para uma boa abordagem do assunto. Não se poderá fazer uma análise aprofundada se o tema for amplo, por isso especifica-se o assunto a ser tratado.
A escolha do aspecto, entretanto, não pode restringir demais o tema ou corre-se o risco da falta de idéias.
Essa delimitação deve ser feita na introdução e, a partir daí, o leitor sabe que aquele aspecto será explorado no decorrer do texto e a conclusão fará menção direta a ele.

Observe alguns exemplos:

  • televisão - a violência na televisão / a televisão e a opinião pública
  • a vida nas grandes cidades - a vida social dos jovens nas grandes cidades / os problemas das grandes cidades
  • preconceitos - preconceitos raciais / causas do preconceito racial
  • progresso - vantagens e desvantagens sociais do progresso / progresso e evolução humana

Agora delimite 3 aspectos que poderiam ser abordados acerca dos seguintes temas:

  • modernidade
  • esporte
  • comunicação de massa

Parágrafos


São blocos de texto, cuja primeira linha inicia-se em margem especial, maior do que a margem normal do texto. Concentram sempre uma idéia-núcleo relacionada diretamente ao tema da redação.
Não há moldes rígidos para a construção de um parágrafo. O ideal é que em cada parágrafo haja dois ou três períodos, usando pontos continuativos (na mesma linha) intermediários.
A divisão em parágrafos é indicativa de que o leitor encontrará, em cada um deles, um tópico do que o autor pretende transmitir. Essa delimitação deve estar esquematizada desde antes do rascunho, no momento do planejamento estrutural, assim a redação apresentará mais coerência.

Planejamento


Escrever não significa apenas preencher o papel com frases, mas também não se constitui num martírio. Um texto pressupõe simples operações anteriores, entre as quais está o planejamento.
Assim que se recebe uma proposta de redação, uma série de idéias sobre o assunto vêm à cabeça. Deve-se registrar todos os pensamentos no papel. Fatos, informações, opiniões, um caso que aconteceu na sua rua, tudo deve ser anotado em forma de esquema. Não deve ser preocupação, nessa fase, a ordenação dessas idéias.
Esta primeira fase, denominada fluxo de idéias, é fundamental para a execução da redação. Muitas idéias anotadas talvez nem sejam utilizadas depois, enquanto outras idéias podem surgir adiante.
É claro que as idéias não vão aparecer do nada. Elas fazem parte de um repertório de opiniões, fatos, informações a que se está exposto todos os dias.
Partindo desse conjunto desordenado de idéias, pode-se perceber a possibilidade de agrupá-las segundo certas semelhanças. Uma divisão possível seria em causas, conseqüências e soluções.
Dica para captação de idéias: relacionar o tema proposto com a sociedade brasileira atual e fazer a pergunta “por quê” a cada argumento levantado, a fim de promover uma reflexão mais profunda sobre o assunto.


Ao redigir, não se deve esquecer de:

  • anotar todas as idéias, frases, palavras, sensações que surgirem sobre o tema;
  • fazer uma seleção das idéias que surgiram;
  • pensar num plano para o texto, estruturando-o em introdução, desenvolvimento e conclusão;
  • revisar no rascunho, ao final, a grafia das palavras, a pontuação das frases e a eufonia das palavras usadas, assim como a adequação vocabular ao contexto.

ATIVIDADE

Instruções para chorar

“Deixando de lado os motivos, atenhamo-nos á maneira correta de chorar, entendendo por isto um choro que não penetre no escândalo, que não insulte o sorriso com sua semelhança desajeitada e paralela. O choro médio ou comum consiste numa contração geral do rosto e um som espasmódico acompanhado de lágrimas e muco, este no fim, pois o choro acaba no momento em que a gente se assoa energeticamente.
Para chorar, dirija você mesmo, e se isto lhe for impossível por ter adquirido o hábito de acreditar no mundo exterior, pense num pato coberto de formigas e nesses golfos do estreito de Magalhães nos quais não entra ninguém, nunca. Quando o choro chegar, você cobrirá o rosto com delicadeza, usando ambas as mãos com a palma para dentro. As crianças chorarão esfregando a manga do casaco na cara, e de preferência num canto do quarto. Duração média do choro, três minutos.”

CORTAZAR, Julio. Histórias de cronópios e de famas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998.


Valendo-se do mesmo recurso utilizado por Julio Cortazar, produza dois textos, entre as quatro sugestões abaixo apresentadas, em que sejam dadas instruções para:
a) Assistir um filme no DVD
b) Comer macarrão
c) Escovar os dentes
d) Tomar um prato de sopa.

O Contraste

Para concluir, devemos lembrar que também é possível explorar aspectos contraditórios de uma mesma questão no momento de elaborar uma exposição.

A utilização dos contrastes normalmente ocorre quando, ao analisar determinada questão, o autor do texto deseja mostrar que ela pode ser observada por mais de um ângulo, ou também que há posições contrárias a serem consideradas quando se pensa mais profundamente sobre a questão.


“Uma variedade de motes antigos proclama que nenhum princípio estético é capaz de especificar o belo e o feio de modo a contemplar todos. ‘A beleza’, dizem–nos, ‘está nos olhos de que a contempla’[...]
A ciência, em contraste, seria supostamente um empreendimento objetivo, dotado de critérios comuns de procedimentos e padrões de evidenciação que deveriam levar todas as pessoas de boa vontade a aceitar uma conclusão documentada.
Evidentemente, não nego haver uma diferença genuína entre estética e ciência nesse aspecto: pois nós descobrimos efetivamente – como um fato do mundo exterior, não como uma preferência do nosso psiquismo – que a Terra gira em torno do Sol e que a evolução ocorre; mas jamais chegaremos a um consenso acerca de Bach ou Brahms ter sido o melhor compósito (e nenhum profissional do campo da estética sequer faria uma pergunta tão tola).”


GOULD, Stephen Jay. Na mente do observador. In: Dinossauro no palheiro – Reflexões sobre história natural. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.


O autor do texto citado demonstra, por meio do contraste, que o olhar estético e o cientifico manifestam-se em campos diferentes e que nem outro são capazes de explicar tudo o que existe no mundo. Vai além: considera tolice pretender o contrario.
Pode-se, inclusive, prever que Stephen Jay Gould defenderá, ao longo do texto, a visão de que o campo da ciência é a explicação dos fatos do mundo exterior, enquanto a estética manifesta-se a partir do psiquismo humano. Nesse sentido, o melhor seria que fossem vistos como complementares, em lugar de excludentes.


Apresentados os principais recursos expositivos, esperamos que você, de agora em diante, faça uso daqueles que melhor se adequarem aos propósitos do texto que for solicitado a escrever.

A Comparação

É muito freqüente encontrarmos trechos comparativos no interior de uma exposição. Ás vezes, um autor recorre à comparação para garantir que seu leitor irá compreender bem o que ele quer dizer, pois imagina que a mera explicação não cumpra tal propósito.
Observe a analogia proposta pelo astrofísico da NASA para explicar o que são explosões solares:

“Pegue um pedaço de papel. Faça uma bolinha. Se você ainda for criança, cuspa nela. Coloque-a em um canudo e sopre com força.
Se o professor o expulsar da sala, temos uma desculpa: você estava criando um modelo de prótons relativísticos acelerados em uma frente de choque de uma massa coronal de ejeção (CME) solar. E trabalhava em nome da ciência.
É sério.Explosões solares e bolinhas de papel expelidas de um canudo têm alguma coisa em comum. As CMEs arremessam partículas subatômicas por um sistema solar em velocidade próxima à da luz. Essas partículas são guiadas, mais ou menos como no caso da bolinha do papel em um canudo, pelo campo magnético do Sol.”


PHILLIPS, Tony. Explosões no Sol podem interromper comunicações. Tradução de Paulo Migliacci. http://noticias.uol.com.br/inovacao/ultimas/ult762u966.jhtm. 16jan. 2003.


Conhecendo a dificuldade de um leitor compreender o que são as explosões solares e quais as suas conseqüências imediatas (arremesso de partículas subatômicas pelo sistema solar), o astrofísico americano Tony Phillips criou uma analogia entre esse mecanismo e o de uma brincadeira muito comum nas salas de aula: o lançamento de bolinhas de papel com o auxilio de um canudo.
Com essa comparação ,Tony Phillips permite que o leitor sem grandes conhecimentos do assunto consigo visualizar o mecanismo básico de uma explosão solar.

A Enumeração

Ás vezes, quando expomos algo, precisamos enumerar suas características, de modo a apresentá-las para o leito. A enumeração envolve a identificação e apresentação seqüencial de informações referente àquilo sobre o que se está escrevendo. Vejamos um exemplo básico.

Auto-retrato

"Garota tímida, sempre encurvada, de fala mansa, de olhos grandes que se escondem atrás dos óculos e quase se fecham ao contato com a luz, pele branca, cabelos escuros... O que diriam de você toda vez que a olham e apenas pensam, sem nenhum som emitir? Não sabem do coração generoso, meio restrito, aberto aos amigos e fechado aos injustos, escancarado às crianças e desconfiado dos adultos, solidário a alguém que precise, porém ao mesmo tempo, egoísta e corrompido ao capitalismo, que o obrigou a sobreviver, ao invés de viver plenamente. Metade dele quer aprender, a outra corre desesperadamente para pôr em prática o que aprendeu ou então, tenta se salvar da forma que dá...eterna ambigüidade humana!"

Roberta Costa
Publicado no Recanto das Letras em 09/01/2007

A Definição

Um outro recurso expositivo muito mais útil é a definição. Várias vezes, quando estamos escrevendo um texto, corremos a ela para deixar claro para nosso leitor sobre o que, exatamente, estamos falando. Engana-se quem pensa que a definição é utilizada apenas para a apresentação de termos técnicos. Um autor pode, por exemplo, sentir a necessidade de garantir que o seu leitor compreenda em que sentido um determinado termo ou expressão está sendo por ele utilizado, apesar de esse termo ou expressão ser conhecido. Observe o próximo texto:

“A globalização está criando um novo topo de pobre. Diferentemente dos pobres que tinham renda baixa, viviam pacifica e decentemente, em bairros humildes ou no meio de bairros ricos, com esperança de que seus filhos dariam um salto social, surgem agora pobres que vivem em guetos, no meio da violência, sem emprego, com receitas ocasionais, muitas vezes derivadas do tráfico de drogas, obrigados a ver seus filhos e filhas jogados à prostituição. A pobreza de antes decorria da falta de modernidade: a nova é causada pela modernidade.”

BUARQUE, Cristovam. Admirável mundo atual. São Paulo: Geração Editorial, 2001.
Todos nós conhecemos o sentido dos termos “pobre” e “excluído”. Cristovam Buarque, porém, pretende nos demonstrar que esses termos assumem uma significação nova em um mundo globalizado. Para tanto, recorre à definição e nos informa sobre o significado de “pobre excluído” como se estivesse preparando um verbete de dicionário.

A Descrição

Vamos começar pelo mais conhecido dos recursos expositivos: a descrição. Sempre que desejamos apresentar algo que imaginamos ser desconhecido dos nossos leitores, recorremos à descrição, cuja unção é informar sobre as características do que está sendo apresentado.
Abaixo, vejamos um exemplo de discrição.


O grande homem da fé cristã

Considerado símbolo de fé, amor e perseverança, Jesus Cristo pode ser tomado como um dos maiores revolucionários que o mundo já conheceu. Ele provou a uma sociedade hipócrita e primitiva que um homem não se faz de seus valores materiais, mas do seu valor moral.
Em sua tênue expressão facial, Jesus sempre tinha um belo sorrido resplandecente. Seu carisma e simplicidade atraíram para si diversos seguidores, bem como inimigos. Ele propôs uma nova filosofia de vida, baseada no amor ao próximo, o que gerou conflito com as leis do povo judeu, as quais se baseavam no ódio aos inimigos.
A sua crescente popularidade foi notável, principalmente entre as camadas mais pobres daquela sociedade, que o viam como um messias e adotaram suas palavras como religião. Nascia aí o Cristianismo, que em princípio fora duramente reprimido pelo governo romano, o qual dominava, naquela época, a Palestina. Indo de encontro aos interesses de Roma, e atraindo para si cada vez mais seguidores, mesmo fora daquela região, Jesus Cristo findou sua vida por meio da mais extrema penalidade que poderia ser aplicada a um réu: a crucificação. Adjetivar Jesus Cristo grandiosamente tornar-se-ia uma forte digressão, todavia deve-se por no devido relevo o grande legado deixado por ele pra as religiões cristãs. Por seus constantes exemplos de amor ao próximo, de humildade e simplicidade, Cristo pode ser tido como modelo de perfeição mortal entre os homens.

A Exposição

Um olhar objetivo para o mundo


Imagine que você desconheça o significado da palavra exposição e vá ao dicionário procurar mais informações sobre ela.


Exposição S.f.
1. apresentação organizada de um assunto, oralmente ou por escrito.
1.1 ação de declarar, de manifestar.


Dicionário Houasis da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.


Exposição significa,basicamente, a apresentação de informações sobre um objeto ou fato especifico, sua descrição, a enumeração de suas características
Uma boa exposição precisa ter algumas características bem definidas: deve permitir que o leitor identifique, sem problemas, o tema central do texto.
Caso se trate da apresentação de algo novo (uma nova maquina, uma nova tecnologia, um animal ou uma planta recém-descobertos), é essencial que haja informações suficientes para que se faça uma imagem do que está sendo descrito.
Há, ainda, a apresentação de argumentos, caso o assunto abordado pelo texto expositivo seja polemico e o objetivo do autor seja informar os leitores sobre as várias possibilidades de analisar esse assunto. São essas características que asseguram ao texto expositivo um caráter abrangente, permitindo que seja lido e compreendido por diferentes pessoas com diferentes gruas de informação e cultura.
Um dos aspectos importantes dos textos expositivos, portanto, é a determinação do objetivo a que se destinam.

O Melhor Caminho a Seguir

Talvez você nunca tenha reparado, mas cada vez que sai de casa para ir a um determinado lugar, estabelece um plano de como chegar até tal lugar da maneira mais simples possível.
Todas as vezes que age dessa maneira, você está planejando, com antecedência, os procedimentos necessários para alcançar determinado objetivo. Mesmo quando não percebemos, praticamente todos os nossos atos exigem certa dose de planejamento prévio.


Com a escrita não poderia ser diferente. O que faremos, agora é identificar alguns procedimentos que, se adotados no momento de produzir uma redação, não apenas facilitarão o seu desenvolvimento, como garantirão maior qualidade ao texto resultante.


PASSOS NECESSÁRIOS PARA A ELABORAÇÃO DE UMA BOA NARRATIVA

Apresentaremos os procedimentos que procuram estabelecer os passos a serem seguidos no momento de planejar uma narrativa. Leia-os com atenção.


1º) Definir quais são as possibilidades de desenvolvimento do tema proposto, considerando os elementos da coletânea (conjunto de textos que acompanha a proposta) e, quando houver, as instruções gerais.

2º) Escolher uma dessas possibilidade de desenvolvimento.

3º) Buscar, nos textos da coletânea, elementos que permitam o desenvolvimento escolhido.

4º) Reler a coletânea, identificando especificamente as informações básicas, ali fornecidas, sobre os cinco elementos constitutivos de qualquer texto narrativo (narrador, personagem, enredo, cenário e tempo).

5º) Complementar a caracterização desses elementos e desenvolvê-los. Em outras palavras: integrar às informações extraídas dos passos anteriores os elementos (ficcionais) necessários para a construção da narrativa e que não aparecem na coletânea.

Observe que, no momento da elaboração de um projeto de narrativa, você já estará determinando os rumos que o seu texto poderá tomar quando começar de fato a escrevê-lo. É claro que você poderá fazer modificações no projeto inicial, determinadas, em parte, pelo próprio processo de escrita.

PROPOSTA COMPLEMENTAR DE PRODUÇÃO DE TEXTO


O trecho abaixo foi extraído de uma crônica de Luis Fernando Veríssimo e sugere uma interessante situação narrativa. Leia-o com atenção e, a seguir, faça o que se pede.


“Um dia as duas fizeram um pacto. Se reuniram dali a 20 anos naquele mesmo lugar. Acontecesse o que acontecesse, nenhuma podia faltar ao encontro. Mesmo que tivesse que vir de longe. Mesmo que estivesse morta! E selaram o pacto não com sangue, mas com chantili na testa, já que estavam numa sorveteria. Para não esquecer. Tinham 15 anos.
Vinte anos depois, uma mulher entrou numa locadora de vídeo e perguntou:
- Aqui não era uma sorveteria?
O funcionário não sabia, o dono disse que, quando comprara, a loja era um deposito. Sorveteria? Só se fosse há muito tempo. A mulher agradeceu e ficou olhando as fitas enquanto esperava. Era melhor que a outra não aparecesse, mesmo. Tinham se separado. Nunca mais tinham se visto. Que tipo de conversa poderiam ter?
- Eu? Não fiz nada. Não me formei, não namorei, não me casei, não viajei, nada. Estou com 35 anos e ainda não tive uma vida.
Já estava quase desistindo indo embora, convencida de que a outra não apareceria, quando viu entrar na loja[...].”


VERISSIMO, Luis Fernando. Chantili. In: Historias brasileiras de verão. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999.


Sua tarefa narrativa é desenvolver a história do encontro dessas duas amigas, passados vinte anos que se viram pela ultima vez. A narradora deve ser a personagem apresentada no trecho. Procure desenvolver seu texto a partir de uma perspectiva compatível com as características da personagem.

Nas Ondas do Espaço e do Tempo

O Espaço

Pode-se dizer, simplificando um pouco, que o espaço é:
“O conjunto de elementos da paisagem exterior (espaço físico) ou interior (espaço psicológico), onde se situam as ações das personagens. Ele é imprescindível, pois não funciona apenas como pano de fundo, mas influencia diretamente no desenvolvimento do enredo, unindo-se ao tempo.”

SOARES, Angélica. Os gêneros literários. São Paulo. Ática.

As principais funções do espaço são identificar o “lugar” em que transcorre a ação, auxiliar na caracterização das personagens (com elas interagindo, ou sendo por elas transformado) e contribuir para a construção do tempo da narrativa. A construção do tempo é mais visível quando lidamos com histórias de ficção cientifica, por exemplo, nas quais o espaço auxilia enormemente a definição de um momento futuro.
Se estivermos interessados em identificar como é feita a ambientação, precisamos perceber de que maneira o espaço determina o clima (a atmosfera) daquela narrativa. Nesse caso podemos nos referir ao espaço como ambiente. Podemos considerar elementos de vestuário, por exemplo, como constitutivos de um espaço narrativo, uma vez que nos informam sobre a situação social das personagens, seu estado de animo, contribuindo efetivamente para que entendamos melhor em que condições a história está se passando.

O Tempo

O tempo de uma narrativa é caracterizado pela duração da ação nla apresentada.
Pode ser cronológico – os fatos são apresentados de acordo com a ordem dos acontecimentos – ou psicológico – a rememoração do passado desencadeia a narrativa.
Normalmente, nossa atenção não se volta para o tempo como elemento narrativo, porque assumimos como um fato evidente que acontecimentos pressupõem um tempo no qual ocorrem. A análise da construção do tempo na narrativa, porém, pode ser muito valiosa para a compreensão da construção do enredo, à medida que nos informa, por exemplo, sobre o estado de espírito das personagens, principalmente se estivermos lidando com o tempo psicológico Flashback é o nome que se dá ao recurso de fazer com que a narrativa volte no tempo por meio das recordações do narrador.

MÃOS A OBRA!

PROPOSTA DE PRODUÇÃO DE TEXTO


Analise com atenção as personagens apresentadas na tirinha reproduzida abaixo. Procure se perguntar quem são essas pessoas, o que gostam de fazer, quais são as coisas de que não gostam, como costumam se divertir... Em seguida, escolha uma delas e escreva um texto narrativo curto em que você a apresente por meio de algum acontecimento significativo que possa permitir ao narrador caracterizá-la e apresentar suas características mais marcantes.




PERSONAGEM


Dando continuidade à apresentação dos elementos constitutivos da narrativa, passamos agora ao exame da personagem.
Personagem é um ser criado no contexto da ficção que simula as características de uma pessoa real. Ao narrador cabe a tarefa de caracterizar a personagem e fazer com que o leitor do texto a aceite como uma representação verossímil de uma pessoa.


A Construção do Personagem


É preciso determinar, desde o inicio, alguns aspectos básicos que caracterizarão nossas personagens. Por exemplo: estamos lidando com alguém do sexo masculino ou feminino? Trata-se de um adulto, um adolescente ou uma criança? Quais são as informações referentes à sua aparência (cor dos olhos, tipo físico, cabelos etc.)? Pocure, então, antes de desenvolver uma personagem, determinar o seguinte:


  • Sexo


  • Altura


  • Peso


  • Cor dos olhos


  • Cabelo


  • Data de nascimento


  • Local de nascimento


  • Sinais ou traços característicos


  • Profissão

    Talvez você nem precise utilizar algumas dessas informações no seu texto, mas, nesse momento, é essencial que você consiga “conhecer” muito bem essa nova pessoa que deverá ganhar vida por meio de suas palavras.


“Receita” de personagem

Vamos pôr em prática os procedimentos sugeridos e “construir” duas personagens.




Personagem 1:




Sexo: Masculino
Altura: 1,75m
Peso: 82kg
Cor dos olhos: castanhos
Cabelo: curto
Data de nascimento: 11 de julho de 1962
Local de nascimento: São Paulo
Sinais ou traços característicos: tatuagem de uma pantera negra nas costas, na altura do ombro direito
Profissão: administrador de empresas, exerce um cargo de chefia em uma importante indústria metalúrgica.

Personagem 2:

Sexo: feminino
Altura: 1,70m
Peso: 62kg
Cor dos olhos: castanhos
Cabelo: Longo, com reflexos loiros
Data de nascimento: 03 de maio de 1962
Local de nascimento: São Paulo
Sinais ou traços característicos: tatuagem de uma pantera negra nas costas, na altura do ombro direito, pequena falha entre os dentes da frente
Profissão: Professora de educação infantil.



Temos ao o esboço de duas personagens, no que diz respeito a suas características mais objetivas (idade, sexo, peso, altura, profissão, local de nascimento...). As diferenças entre as duas, embora pequenas são suficientes para provocar significativas alterações em seu comportamento, caso fossem utilizadas em um texto narrativo.


Tente imaginar as coisas que a personagem 1 – um administrador de empresa de mais de 40 anos e com uma tatuagem nas costas – gosta de fazer. Quais seriam suas preferências musicais, por exemplo? Por que teria feito uma tatuagem nas costas?

Talvez essa fosse uma opção feita na juventude: paulista de nascimento, não é difícil imaginá-lo na adolescência, cabelos mais compridos, visual rebelde. Por outro lado, pode ser que ele tenha acabado de se tatuar.


Imagine também quem seria a personagem 2 no contexto de uma narrativa. Quais seriam seus gostos pessoais, hábitos e comportamentos? O que a teria levado a escolher a profissão de professora? Um dos elementos que ela tem em comum com a personagem 1 é a tatuagem de pantera. Por que ela a teria feito? A explicação pode ser a mesma da personagem masculina. Mas será que no caso dela, pelo fato de ser uma mulher, a sociedade reagiria de forma diferente?



Preconceito? Certamente, mas o fato é que essa característica pode levar as personagens a se comportarem, no texto, de forma bastante diferente. Bastou refletirmos um pouco sobre um sinal característico para desencadearmos um processo de diferenciação das duas personagens que, com certeza, traria conseqüências concretas se fossemos trabalhá-las em uma narrativa.

ATIVIDADE

Vamos testar aquilo que você entendeu até o momento?

Leia o texto abaixo e responda as questões.

Apelo


“Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa da esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.
Com os dias, Senhora, o leite pela primeira vez coalhou. A noticia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali não chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, e até o canário ficou mudo. Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos.
Uma hora da noite eles se iam e eu ficava só, sem o perdão de sua presença a todas as aflições do dia, como a ultima luz na varanda.
E comecei a sentir falta das primeiras brigas por causa do tempero na salada – o meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham.
Não tenho botão na camisa, calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolhas? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.”


TREVISAN, Dalton. In Bosi, A. (org.). O conto brasileiro contemporâneo. São Paulo: Cultrix, 1997.


1) Identifique o tema desenvolvido por Dalton Trevisan no texto lido.

2) O narrador afirma que, na primeira semana depois da separação, não sentiu falta da esposa. O que contribuiu para que a ausência dela não fosse sentida?

3) Identifique, no texto, as passagens em que a ausência da esposa é sentida pelo narrador.

4) A análise do foco narrativo desse conto é fundamental para a compreensão do texto.

a) Qual é ele? Justifique sua resposta.

b) O foco narrativo, nesse texto, faz com que as informações sobre a “Senhora” sejam apresentadas de forma objetiva ou subjetiva? Explique.

5) Transcreva do conto as informações dadas sobre:

a) o tempo. b) o espaço.

6) Em que medida a construção do tempo e do espaço contribuem para o desenvolvimento do conto?